
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Vander Lee Grava Novo CD

Ailton Magioli - EM Cultura
"Se no último trabalho de estúdio (Naquele verbo agora, de 2005; no
ano seguinte ele fez Pensei que fosse o céu, ao vivo) o que se ouviu
foi o artista romântico que conquista cada vez mais fãs, no disco que
acaba de gravar o público terá chance de conhecer um compositor
amadurecido, mais elaborado e com olhar ampliado. A revelação, feita
ao telefone, do Rio, é do próprio Vander Lee, que concluiu o sexto
disco solo de carreira na semana passada, sob produção de Marcelo
Sussekind. Com lançamento previsto para março, o CD, ainda sem
título, vai reunir 12 canções inéditas, entre as quais Obscuridade,
produto da parceria póstuma do músico mineiro com Cartola.
Provavelmente, segundo o cantor, esta é a canção que mais se aproxima
do gênero que consagrou o mestre carioca – de quem ele musicou o
poema publicado recentemente. "As pessoas me cobram o sambista, mas
esquecem que é com as canções que eu tenho mais êxito", diz. O lado
sambista de Vander Lee veio à tona principalmente no disco No balanço
do balaio, de 1999. "Estão me cobrando talvez porque esteja faltando
isto na MPB, onde de repente todo mundo virou sambista", explica, sem
ocultar crítica ao momento atual.
Para tranquilizar os fãs, Vander Lee anuncia um trabalho de
surpreendente variedade rítmica. no qual vão estar representados
baião, balada, toada, reggae, xote e até soul, além do samba. Na
linha romântica que o consagrou, estão as baladas Cacos e Farol, de
sua autoria, que se aproximam de hits como Românticos e Esperando
aviões. Sucesso de Roberto Carlos na década de 1960, Ninguém vai
tirar você de mim ("Não me canso de falar que te amo/e que ninguém
vai tirar você de mim…"), de Édson Ribeiro e Hélio Justo, e que
ganhou "arranjo mais negão" do cantor, ainda é dúvida, porque Zé
Renato incluiu a canção no recém-lançado É tempo de amar. "Vai entrar
no disco sim, ficou muito boa", aposta o produtor Marcelo Sussekind.
Delicadeza Ainda que o próprio samba, devidamente estilizado, esteja
representado por Obscuridade, que Vander Lee classifica de "um samba
com a delicadeza mineira, meio bossa nova, meio toada", o gênero
poderá ser ouvido, ainda que sutilmente, em outras duas faixas. Na
toada Do bão, da parceria com o mineiro radicado na Espanha Leo
Minax, que, segundo o cantor, remete a todos os lugares, em termos
rítmicos, e em sua "prima" Nega nagô, que ele fez a partir de letra
do poeta Murilo Antunes, classificada de "uma espécie de baião,
reggae, xote, soul". Por enquanto, a única participação confirmada é
a do africano Lokua Kanza, com quem Vander Lee vai dividir vocais em
uma das faixas.
O tempo em que esteve afastado dos estúdios teria contribuído para
trazer à tona o compositor amadurecido que Vander Lee incorpora aos
42 anos. Do pré-roteiro de 35 composições gravadas ao violão e
apresentadas à gravadora, ele fez a seleção das 12 do disco, já ao
lado do produtor Marcelo Sussekind. Além da presença do carioca, que
se destacou trabalhando com meio mundo pop-rock, o cantor conta que
teve de alterar a estrutura da maioria das músicas compostas, por
julgá-las de sonoridade muito parecida. No fim, acabou chegando
ao "ponto" que ele queria. Vander Lee diz que, antes de compô-las,
foi buscar novas fontes de inspiração na leitura de poetas como
Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, Manoel
de Barros e o poeta contista Gabriel García Márquez.
"Isso ampliou a minha visão de autor. Lendo esses poetas, vi que
poderia tocar na temática do amor por outros lados. Não sei se
melhorou, mas não tenho dúvida que evoluiu. Hoje sinto mais coesão na
relação letra-melodia", antecipa. O mais importante para Vander Lee
foi o fato de ele ter-se deparado com o próprio limite estético. "Eu
não tenho uma formação cultural vasta", reconhece o cantor, oriundo
da periferia de Belo Horizonte. "O que não me impe de buscar uma
maneira mais elaborada de dizer as coisas, de forma mais bonita e
lapidada", reivindica.
A escolha do carioca Marcelo Sussekind para a produção foi feita em
comum acordo com a sua gravadora, a carioca Deckdisc. "É o meu disco
mais bem produzido", propagandeia, adiantando que o produto tem
identidade sonora, sem abandonar o que chamam de raiz (aquilo que
remete ao seu passado de cantor, compositor e músico). "Sussekind
trouxe um toque de juventude e modernidade, enquanto eu dei para ele
a possibilidade de trabalhar com um artista mais elaborado", conclui,
classificando o produtor carioca de um grande designer do som.
DETALHES
Antes de Vander Lee, Marcelo Sussekind, de 53 anos, já havia
trabalhado com uma expert em canções, a também mineira Ana Carolina,
de quem produziu discos e os dois últimos DVDs. "Vander Lee tem
canções lindas, além de cantar muito bem", diz o músico e engenheiro
de som, que já foi produtor de artistas como Lulu Santos, Lobão,
Ira!, 14 Bis e Capital Inicial. "Ele tem aquela coisa da música de
Minas Gerais: melodias lindas, Beatles, barroco e o clássico
misturados", resume Sussekind, que também já havia trabalhado com Lô
Borges.
Basicamente, o cantor foi para estúdio com guitarra (Vinícius Rosa),
baixo (Marcelo Sussekind), bateria (Leonardo Reis) e teclados (Sacha
Amback, que também faz alguns arranjos), além do próprio violão,
contando com o auxílio luxuoso de outras cordas e clarinetas, em
algumas faixas. Para dar um tom de modernidade, aproximando a música
do cantor mineiro dos timbres e coloridos da música pop, foram
utilizadas programações eletrônicas. "Um barulhinho aqui, uma
programação ali. Foram mais detalhezinhos, mesmo", explica o produtor.
NOVO CANAL
A indústria da música está em crise no Brasil, segundo Marcelo
Sussekind, por egoísmo e burrice da própria estrutura. "No exterior,
há cinco anos a venda de música pela internet funciona. Aqui, por
problemas de gravadoras com editoras, estamos em um atraso sem fim",
compara o produtor. Para ele, "a pirataria boçal, que se alastra a
cada esquina, é coisa para polícia e governo resolverem. No mais, a
música brasileira vai muito bem. Nunca tivemos tanta diversidade de
produção", acrescenta Sussekind, salientando que a questão do nicho
se estabeleceu definitivamente no setor, inclusive na Internet, que
se firma como canal de venda de música. "Como trabalho para a
gravadora, o meu intuito é o rádio", avisa.
NA ESTRADA
Vander Lee estreia hoje turnê acústica de oito apresentações entre o
Nordeste e o Norte. De Aracaju (hoje e amanhã) a Manaus (dia 29),
passando por Maceió (quinta-feira), Recife (sexta), Fortaleza (sábado
e domingo) e São Luís (dia 27), o cantor vai fazer aquele show
classificado de "espera disco", quando, além do repertório de
sucessos, o artista normalmente aproveita para mostrar algumas
canções inéditas do novo trabalho. No site oficial
(www.vanderlee.com.br) ele promete liberar, em breve, uma das últimas
composições que gravou em estúdio, mas não vai entrar no CD."
Marcadores:
materia sobre gravação novo cd
Assinar:
Postagens (Atom)









